Eu tenho uma mania: a de me apaixonar, por tudo que a vida me oferece. Vivo procurando motivos para que o ENCANTO nunca termine!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fundei em sonhos um mundo repleto de palavras. Bonitas. Vazias. Insistentes. Caóticas. Doces. Mundo diferente esse, dizia à mim mesma caminhando por uma passarela com letras do alfabeto. B, de bobo. A, de amigo. I, de imortal. Passava pelas letras formando palavras desconexas, enquanto ficavam para trás, palavras se uniam, transformando-se num prédio enorme de palavras, capaz de tocar as estrelas feitas por papéis de rascunhos.
Naquele mundo confuso, você morava no último andar do mais alto prédio. E todo sábado à noite, batia timidamente na porta de casa, chamando-me para jantar, ou ver um filme, ou fazer qualquer outra coisa envolvendo eu e você, que juntos formamos minha palavra preferida, nós. Subíamos pelo elevador de vírgulas, ultrapassamos a porta de ponto final, sentamos no sofá em formato de parênteses, e tudo foi esquecido quando olhei em seus olhos. Neles haviam foguetes, estrelas, fogos de artifício - uma via láctea fazendo show de luzes, me prendendo e puxando para seu mundo, e todas as palavras morreram na garganta. Não haviam letras, vozes ou poemas. O lugar mais belo nesse mundo de palavras, é exatamente o lugar em que elas se perdem.           adaptadoboanoitecinderela

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Não gosto que me peçam para ser boa, não me peçam nada, mesmo aquilo que eu posso dar. As relações de dependência me assustam. Não precisem de mim com hora marcada e por motivo concreto, precisem de mim a todo instante, a qualquer hora, sei ouvir o chamado silencioso da amizade verdadeira, do amor que não cobra, estarei lá sem que me vejam, sem que me percebam, sem que me avaliem.
Martha Medeiros

Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como sempre ou nunca. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente… continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

(Caio Fernando Abreu)

Não tem jeito! Dia ou outro a gente se acostuma, Zé.
A gente toma raiva de quase todo mundo, fica entediado com facilidade, acha que estamos velhos.
Mas a gente se acostuma, como sempre. Talvez eu já esteja acostumado, Zé. Acabei me acostumando, sabe?!
Eu li em algum lugar que quando o discípulo está pronto o mestre aparece.
Talvez seja isso, né Zé?! Talvez eu ainda não esteja pronto.

Caio Fernando Abreu
Caminhava pela rua lutando contra minha vontade imensa de fazer as malas e desaparecer entre a imensidão de pessoas na rodoviãria mais próxima. Gosto de pensar que, assim como eu, elas também estariam fugindo, da vida, do passado, da obrigatoriedade em crescer. Vidas tão diferentes, unidas pelo medo do que virá quando apitar os sinos do trem e chegarmos, perdidos e sozinhos, naquele lugar novo e limpo. Um livro vazio, esperando ser preenchido por páginas e mais páginas de histórias felizes, estranhas, irreverentes e tristes - porque ninguém chega ao que interessa sem uma boa dose de insônia. Aquele casal de velhinhos pode estar visitando seus filhos que não viam há muito, muito tempo, com o olhar carregado de saudade e nostalgia enquanto se lembram como o tempo passou voando com as flores na primavera. Ou aqueles jovens recém formados poderiam finalmente estar se livrando das correntes e tentando uma vida nova no lugar que eles sempre sonharam viver, sentindo uma mistura de medo com uma ânsia de captar cada detalhe. E aquela criança, tão confusa e ao mesmo tempo empolgada por conhecer um lugar diferente. Deliciada com o novo cenário repleto de tipos sérios e engraçados que passavam sem notar sua presença. Pensei que, talvez, a felicidade fosse como uma criança, enxergando tudo como uma grande aventura, esperando a primeira oportunidade para se divertir. Bem no centro da estação, segurando a bagagem - que, de tão pesada, estava prestes à desabar no chão de mármore -, estaria eu, com todos aqueles sentimentos misturados. Sentia saudade de momentos que passei, depois ansiava começar logo aquilo que tanto queria fazer mas ainda não sabia bem o que era, e logo após queria sair correndo aos gritos, voltar para o ponto de partida. Quantas histórias existem em uma estação de trem?, perguntei-me enquanto voltava para o mundo real, onde estava no meio da calçada olhando para um lugar além de tudo o que outros poderiam ver. Todos os meus sentimentos já passaram por todas as poltronas e quiches, em cada pessoa que ali sentou o u passou ao decorrer dos anos. Algumas quiseram desistir. Outras apenas liam despreocupadamente o jornal enquanto tomavam café, fingindo que não haveriam problemas para causar indigestão assim que pisassem dentro de casa. Mas no fim da viagem, todas as pessoas ficavam tranquilas, como se lágrimas não existissem, deixando para aquela pobre máquina todos os problemas do mundo. Era isso, afinal. Deixar o passado e viver o futuro. Assim como os outros, deixei tudo numa bagagem deixada nos achados e perdidos. Sorri para a noite que trazia ao céu o brilho das estrelas, e continuei a caminhar. Agora, sem o grande peso da bagagem.

adptado , boa noite cinderela!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Venho tentando me tornar uma pluma. Doce, leve, voando contente com cada pequena brisa que nasce. Utilizar a pouca luz que me restou nessas loucas andanças, para trazer brilho à toda minha cidade. Sorrir mais, para todos, desconhecidos e conhecidos que na prática estão no grupo de totais desconhecidos. Limpar a casa. Lustrar os móveis. Tirar todas as recordações tristes. Sumir com a poeira de debaixo do tapete, varrendo todas as lágrimas para longe. Jogar no lixo todos os romances com a validade vencida que teimam em me causar danos ao estômago. Comprar sapatos mais resistentes que não me deixem cair com qualquer pedrinha do caminho. Usar casacos que consigam aquecer o inverno dentro do meu peito. Atirar pela janela aquela nuvenzinha negra que vezenquando toma conta do meu quarto. Apagar com uma borracha cada problema que rabisca meus cadernos. Venho tentando sorrir para a vida, para que ela sorria de volta para mim.

Todos gritam o mais alto que podem, como se as palavras desconexas que saem de seus lábios fizesse algum sentido. Tudo para chamar atenção e vender sua verdade - que tem uma boa dose de hipocrisia. Apontam uns para os outros, alegando superioridade. Julgam. Machucam. Não se importam. E ainda tem coragem de dizer que a culpa é do resto. O mundo está em guerra, e ninguém parece disposto a esquecer as armas e dar espaço à paz.

sobre as cartas de amor...

Dizem que quem fica apaixonado se transforma. Pisa nas nuvens, borboletinhas invadem o estômago, o coração fica com um sorriso de orelha a orelha, o mundo se torna um lugar mais bonito e todas as músicas parecem fazer algum sentido. Eu concordo.
Esses dias reli uma carta que mandei. Era uma carta extensa, que falava dos meus desejos e medos. É tão bom quando a gente se livra de qualquer tipo de armadura e resolve escutar somente o coração. A gente nasce livre, sem qualquer escudo e aos poucos, depois das cacetadas da vida, vamos ficando duros. Isso me entristece um pouco. Sei que faz parte, mas não deixo de ficar triste.
Percebo que as pessoas estão cada vez mais medrosas. Guardam o que sentem. Se escondem atrás de palavras, atitudes e sentimentos. Mostram uma outra pessoa, uma verdade inventada, uma pessoa inexistente. Pra quê? O objetivo não é ter relações verdadeiras? O grande barato da vida não é ter alguém pra dividir cada coisinha boa e chata?
Tolos, mostram uma coisa que não são e acabam perdendo muito por isso. Porque a gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos.   Clarissa Corrêa
- Eu não entendo...
- Não entende o que?
- Como você pode ser tão perfeita pra dar conselhos pros outros mas quando o assunto é você mesma, é uma completa idiota.
(é... verdade absoluta)

domingo, 3 de julho de 2011

Eu sei que parece loucura, mas até o “até logo” que você diz enquanto beija minha testa, é bonito. Porque apesar da saudade, lembra teu retorno. E não existe sensação melhor nesse mundo do que a de te ver se aproximando, meio correndo ansioso, meio andando despreocupado só pra disfarçar, pra me abraçar e sussurrarmos ao mesmo tempo: Eu senti tanta saudade. E logo depois mergulharmos um no outro sem desejar ser salvo. E retornar à despedida, continuando nosso ciclo. Talvez sentir isso seja prova da minha insanidade mesmo. Talvez eu esteja completamente louca, por você.
(BoaNoiteCinderela)