Eu tenho uma mania: a de me apaixonar, por tudo que a vida me oferece. Vivo procurando motivos para que o ENCANTO nunca termine!
terça-feira, 3 de junho de 2014
domingo, 1 de junho de 2014
Quando eu morrer toquem o Álbum Branco dos Beatles
Dioleno passou a vida inteirinha enchendo o saco de todo mundo com aquela estória de — por favor, gente — tocarmos só canções dos Beatles durante o seu funeral.
“Não se preocupe, vamos tocar “Satisfaction” até você virar dentro do caixão”, algum espírito de corpo dizia, só pra contrariar, só pra baixar o nível da discussão, uma vez que até mesmo fãs de música sertanejo-universitária com Ensino Fundamental incompleto sabiam que aquele sempre foi o principal sucesso dos “arquirrivais Stones”.
“Podem tocar o repertório inteiro se der tempo, mas, sem repetições, sem bis, e com muita organização. Respeitem o legado de Lennon, McCartney e George Harisson, cambada!”, ele advertia, transbordando devoção pela banda britânica.
Ninguém suportava mais aquele papo. Até que Dioleno morreu mesmo (tudo morre um dia, exceto a corrupção, a mentira e a vontade de ir pro Céu), aos sessenta e quatro anos (“When he was sixty-four”, alguém parodiou), com overdose de açúcar. O sujeito, além de beatlemaníaco, era diabético, e mergulhou num coma após consumir altas doses de mastruz com leite e mel, hábito alimentar que sustentava desde a infância, iniciado pelos pais que eram hippies, lascados e igualmente idólatras dos Garotos de Liverpool. Tomou gosto pela iguaria quando ouviu na vitrola, pela primeira vez, a canção “A taste of honey”, que nem da autoria de Lennon e McCartney era, mas aparecia no primeiro LP dos Beatles, de 1963.
Adepta ao naturismo, ao Flower Power, às pílulas anticoncepcionais, ao uso de maconha e de plantas medicinais, a mãe de Dioleno insistia em curar a bronquite do guri com aquela receita caseira, que só não curava câncer, unha-encravada e diabetes. Aliás, por causa do uso contumaz e prolongado, Dioleno adoeceu de tanto queimar insulina à toa.
Passado algum tempo, Dioleno mudou com os pais para a capital e os perdeu para o forró eletrônico e a axé music, então decidiu viver sozinho nesse mundo velho e sem porteira, inspirado na letra de “She’s leaving home”, do disco “Sgt. Pepper”. Sempre que um solitário morre, é preciso mexer, procurar, revirar as gavetas, fuçar nos pertences em busca de pistas úteis que levem ao melhor entendimento do perfil burocrático do falecido, afinal, por força da lei e da deterioração da matéria, é preciso enterrar o indivíduo o mais rápido possível.
O desconhecimento de um ser pelo outro é ainda mais aviltante nos dias de hoje, em que as pessoas não estão atentas ao que se diz, ao que se sente, fazendo com que muitas informações diárias relevantes se percam pelo caminho, na roda-viva das grandes cidades, na correria urbana desenfreada na qual o trabalho e a busca pela redenção financeira estão acima das relações humanas mais primárias como, por exemplo, tomar um pingado num copo americano sujo de batom, enquanto se observa a vida passar pelas calçadas.
Ultimamente, Dioleno morava sozinho num quarto de hotel vulgar no centro da cidade. Ao revirarmos o seu pequeno espólio, nos deparamos com a coleção completa dos Fab Four, além de um sem número de souvernirs da banda mais famosa da história do pop-rock.
Chamou nossa atenção um exemplar bem conservado do “Álbum Branco”, lançado em 1968, em cuja capa nem-tão-branca-assim Dioleno anotara o roteiro, o repertório póstumo de canções, com as suas respectivas resenhas justificadoras, a serem reproduzidas durante o seu funeral.
Quem se deparasse com aquela deselegante caligrafia de Dioleno na capa do LP poderia até jurar fosse ele um catedrático, um doutor, uma sumidade da medicina cubana no Brasil, ou uma autoridade da medicina brasileira em Havana. Tanto assim que alguém se lembrou de requisitar um conhecido que trabalhava como balconista numa farmácia, um verdadeiro ás na prescrição ilegal de medicamentos genéricos no balcão, um craque na decifração de letras garranchadas dos doutores.
Enquanto todos chorávamos em círculo, o jovem balconista estrábico, sabido como ele só, ditava para que eu anotasse o roteiro das canções dos Beatles a serem tocadas durante o velório, que era o desejo expresso de Dioleno Macarter Rérissom, nome de registro no decadente cartório de Bungalow Bill, Ceará. Abre aspas:
Antes de mais nada, se precisarem (e vão precisar) do meu atestado de óbito, chamem (e ouçam)Doctor Robert. Triste detalhe: ele não atende pelo SUS.
Mandei fazer um adesivo enorme com o silk Magical Mistery Tour. Está guardado dentro da tábua de passar roupas, embaixo da minha cama. Retirem com cuidado e preguem, por favor, na tampa do ataúde. Deus lhes pague, já que eu não o farei.
Se alguma criança presente ao recinto perguntar se eu morri, digam que eu estou apenas dormindo, e coloquem “I’m only sleeping” para ela ouvir. Comprem também um algodão doce, que logo ela para de chorar.
Toquem, em alto volume, “I want to hold your hand”, caso alguém se atreva a cantar que amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não.
Se, supostamente, alguma mulher declarar em lágrimas que tinha o meu amor, toquem primeiro “All my loving” e “She loves you”, para alegrar o seu coração (o coração dela, pois o meu já estará parado há tempos). Logo em seguida, para não criar falsas expectativas, arrematem o tributo com “All things must pass” e “Cry baby cry”. E fim de papo. A fila anda, minha filha.
Não somente toquem “Old Brown shoe”, mas me enterrem trajado com um par de sapatos mocassim de cor marrom. Estão guardados dentro do armário, na primeira gaveta, contando de baixo para cima. Por favor, não cometam o disparate de engraxá-los.
Antes que alguém comece a me enaltecer num discurso, ponham pra rodar “In my life”. A letra, por si só, já diz tudo o que eu tinha pra dizer a respeito de mim, do que eu fiz e do que deixei de fazer na vida.
Se um padre, pastor ou policial sugerir uma derradeira oração antes de lacrarem a minha urna, toquem “Hey Jude” e preparem os lenços. E que todos os presentes, em coro, caprichem no refrão entoando o famoso “na na na na na na na”. Cantem esta parte repetidas vezes até as gargantas ficarem tão secas quanto o agreste.
Ao preencherem os cheques (Deixei dois deles assinados em branco, devidamente cruzados, os quais se encontram na escrivaninha, na gaveta do meio, dentro da biografia não autorizada de John Lennon. Autorizo vocês, meus amigos do peito, a preencherem os valores) para pagarem pelos sempre abusivos serviços póstumos da funerária, toquem, como forma de protesto, a canção “Taxman”. Para debochar dos papa-defuntos sacanas, terminem com “Money (That’s what I want)” e “You can’t do that”. Vai ser demais.
Enquanto o sexteto de vitaminados e voluntariosos amigos estiver carregando o meu esquife barato, toquem “With a little help from my friends”, emendando com “Come together”, “Carry that weight” e “The long and winding road” (afinal, o caminho até o buraco será mesmo bem longo). Se algum dos companheiros alegar cansaço, toquem “We can work it out”. Quem sabe assim o cabra se anima.
Se a tarde estiver chuvosa, triste, e pintar uma melancolia, toquem “Rain”. Se, ao contrário, um sol delicioso danar a lamber o gramado verdinho do cemitério, toquem “I’ll follow the the sun”. Será lindo, principalmente se um Blackbird cantar no flamboyant.
Para escrever na lápide, suplico aos amigos que, através de votação aberta e democrática — ao contrário do que hoje ocorre no Congresso Nacional — vocês escolham, ao som de “Let it be”, uma dentre as três opções a seguir: “Nowhere man” / “Free as a Bird”/ “P.S. I love you”. E dá-lhe pá de cal em cima.
Para fechar o funeral com um grammy de ouro, já que cemitério não possui terraço, que uma banda cover dos Beatles toque “Don’t let me down” sobre a minha sepultura.
The end.
Mãos ao alto! Isto é um abraço!
É um desejo, quase um cansaço. Mãos ao alto! Isto é um amor escondido, um carinho perdido, uma promessa de estrelas. Prepare-se logo para novos assaltos, iluminados como jamais viu. Invasões nas quais trocam-se armas por flores, gritos por sussurros, defesas por clamores.
Novas aventuras se aproximam. Nesse mundo de pedras e podres, alguém prega novos momentos e encontros brandos, assinalados um a um, no livro branco da paz. A imundície foi posta a nocaute. O perjúrio, enjaulado. A roubalheira diária trancafiada nos cofres de uma ética que se supõe quase possível.
A algazarra dos sujeitos sujos em suas gravatas de serpentes de seda envenenada, foi atirada aos leões do coliseu contemporâneo, onde digladiam-se causas nobres e justas.
Mãos ao alto. Os ratos, morcegos e baratas recobertos na pele cinzenta de monstruosos políticos receberão os primeiros raios de sol de uma alvorada inaudita. Não há como escapar ao vaticínio. Muitos fugirão para as sombras. Outros cavarão abrigos em terrenos desérticos. Outros ainda se aninharão na intimidade dos cactos — pois estes espinhosos contatos são os únicos destinados a quem urde baixezas atitudinais em sua parca e estiolada existência. Mãos ao alto, Brasil! Já tão murcho pelo débil anúncio de pálidas desesperanças. Há futuros, não definhe! As crianças e os jovens prosseguem rindo à toa. Garantem bonanças, brincando de roda por detrás de suas euforias rosadas. Há mudanças neste ar, até então poluído de amarguras e desalentos. Reparem só.
Há pássaros fortes e altaneiros, águias reais, condores suntuosos adejando surpresas nesta terra de horrores, já desbotada, em seu verde amarelo. Cores assustadas, tão esgarçadas quanto a primeira bandeira cerzida nos séculos dos velhos imperadores por uma sinhazinha modesta.
Mãos ao alto! Joguem ao chão defesas, ressentimentos, maledicências. Rejeitem desconfianças de toda a ordem. O amor existe e insiste em lhe entregar uma flor. Não cerre os olhos. Não vire a cabeça no exato instante em que caminhos férteis se delineiam devagar pelas mãos da natureza em sua mais tenra infância.
Abrace a coragem de ostentar brilho nos olhos. O sorriso no rosto nu de certezas, nas mãos vazias de crenças, que teimam, entretanto, se manter estendidas.
Os lábios estão molhados à cata de paixões. O ar se cobre de um desfile de gerânios, jasmins, girassóis, reivindicando no horizonte perfumes esquecidos nos secos marcadores de livros. As flores do pântano se acanham. Àquelas do sereno, se encolhem.
Mãos ao alto! Porque a primavera ergue seu reinado de sementes, brotos de vida verde, devassando fendas de desusados terrenos. Colheitas, aos poucos, se anunciam.
Preste atenção. Os corações agora saltaram para as mãos e correm ávidos pelos bairros, acordam a vizinhança, assaltam casas tranquilas, tocam acordeão em bando, despertam princesas sonolentas e príncipes apáticos.
Este é o novo amor que se configura escaldante. Vermelho-fumegante como tomates frescos, mesclados a uma sopa que revigora e alegra quem a bebe.
Mãos ao alto! Estão de volta os doces e bárbaros sonhos, as amazonas selvagens, os deuses da escuridão, dispostos a guerrear contra a inocência perdida e as leis defloradas por seres do mal. O código da vida é insone. Ouvem-se gritos pagãos de quem não teme a morte nem as noites sem lua.
Mãos ao alto! Isto é um abraço. Então venha. Me abrace, me aperte, rasgue a minha pele e a sua. Me morda e se entranhe neste amor ladrão. A emoção bandida que nos inunda de quaisquer demandas e vícios do corpo. É um afeto prisioneiro envolto em carícias e cárceres.
Creia. Este amor, dentro ou fora das grades, é o maior amor do mundo. Por isso não perca tempo. Livre-se dos medos avulsos e prenda-se aos seus mais belos afetos. Mas faça isso logo. Antes que chegue algum ladrão sorrateiro.
sábado, 31 de maio de 2014
Ei, moço!
Tô com saudade do teu sorriso, sabia?! Saudade do teu cheiro, de te fazer carinho, de te cuidar.
Saudade de você parece que nunca passa. Amor também não passa. Não pára de crescer.
Mas, olha, mesmo distante eu continuo por perto, tá?!
Eu te cuido em pensamento, te mando amor, te faço carinho, assim, de longe.
Penso em você, sorrio e sopro ao vento uma porção de coisas boas pra você.
Tô com saudade do teu sorriso, sabia?! Saudade do teu cheiro, de te fazer carinho, de te cuidar.
Saudade de você parece que nunca passa. Amor também não passa. Não pára de crescer.
Mas, olha, mesmo distante eu continuo por perto, tá?!
Eu te cuido em pensamento, te mando amor, te faço carinho, assim, de longe.
Penso em você, sorrio e sopro ao vento uma porção de coisas boas pra você.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
É moço, ela é um pouco complicada (de mais), eu sei. E talvez você não consiga acompanhar esse turbilhão de palavras e pensamentos e sentimentos, de tudo ao mesmo tempo. Acho que você não consegue entender porque ela não é entendível, mesmo. Ela é feita de muitos exageros. E exigências intermináveis de atenção e de carinho: '-Mais cinco minutinhos, e uma vida inteira pela frente'.
Eu sei, seu moço, que você não entende, mas é que ela é desse jeito mesmo.
E ela fica insuportável quando sente saudade. Você já sabe. E ela faz drama, faz charme, faz raiva.
É que na verdade ela só precisa de espaço pra tudo o que ela sente, é que ela sente muito.
E transborda amor por todos os lados.
Monalisa Macedo
segunda-feira, 26 de maio de 2014
"Não desfrute somente o sol, aprecie também a lua. Não desfrute somente a calmaria, aproveite a tempestade. Tudo isso enriquece a existência. A vida não acontece somente dentro de uma casa, de uma cidade, de um país: ela tem de ser experimentada dentro do universo. A felicidade é um jeito de viver, é uma conduta, é uma maneira de estar agradecido ao sol, à lua, a quem lhe estende a mão e também a quem o abandona, pois certamente nesse abandono está a possibilidade de você descobrir a força que existe em seu interior. A felicidade não é o que as pessoas têm, mas o que elas fazem com isso."
(Roberto Shinyashiki- O sucesso é ser feliz)
Tenho tudo que eu queria, de quem eu não queria. Tenho um que vale por dois, e outro que vale por menos um. E vou deixar você adivinhar qual deles eu quero.
Eu tenho atenção, carinho, proteção, nada me falta. Pelo contrário,me sobra. Mas nada disso me basta porque não vem de você. Tudo isso me cansa porque eu não posso descansar no teu peito e ouvir você dizer que me ama, pra eu poder dormir em paz.
Eu poderia ser sua, era só você pedir. E me garantir que ia cuidar bem de mim, ser meu também e fazer de tudo pra gente dar certo. Eu largaria minhas certezas e iria incerta e absurdamente feliz pros teus braços, pra ficar, pra tentar. Tô com um cara que sabe do meu valor, enquanto eu espero que um dia você descubra também.
Não é justo, eu sei, mas é seguro. Seus olhos me contam tudo que você insiste em me esconder, não dizer, luta pra não sentir. Então de que adianta esses bloqueios, viver recuando e louco pra avançar? Pra que escolher viver nessa indecisão, montar tua casa em cima do muro, se eu escolho você e, no fundo, você sabe que já me escolheu também?
Permaneço aqui, entediada com alguém que só quer me fazer sorrir e sorrindo sempre que você aparece, sem saber ao certo o que quer de mim. E depois vai embora, não sabendo gostar, não sabendo ficar, esperando crescer um pouco mais. Mas se você me pedisse, eu juro que te ensinava. Na teoria, na prática, no meu colo. É só você pedir.
Eu sou meiga, porra! Marcela Fernanda...
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
"Não basta ser fiel, tem que ser leal para dar certo. [...]
A lealdade é tão importante quanto à fidelidade.
A lealdade é o pensamento da fidelidade. A fidelidade é a ação da lealdade.
A lealdade é a amizade do amor. A fidelidade é o respeito do amor.
Há casais que são fieis entre si, mas não são leais, e se distanciam um do outro.
Há casais que nunca se traem, mas tampouco se apresentam: vivem pulando a cerca nos gestos.
Podem,
aparentemente, conviver em harmonia, só que não expressam o que sentem,
não descrevem suas frustrações, conservam uma fachada até a relação
estourar. Cuidam do jardim da residência, descuidam do quintal.
Não cooperam com o entendimento, não são didáticos, colocam a sujeira debaixo da cama, deixam os atritos passar sem mediação.
Parece que estão alinhados, porém apenas não estão conversando.
Não respondem onde andam com a cabeça, o que querem de verdade.
Na
separação, descobrirão que não se conhecem, pois jamais descreveram
suas emoções mais básicas, sequer revelaram o ciúme e o descontentamento
no momento da eclosão.
Lealdade é esclarecer as dificuldades e as rusgas. É uma exposição gradual das diferenças que geram as semelhanças.
Fidelidade é uma vontade do casal diante dos demais, lealdade é mostrar a vontade de cada um no decorrer do tempo.
Fidelidade é cumplicidade, lealdade é intimidade.
Fidelidade é um posicionamento público, lealdade é a vida privada.
Fidelidade
é projeção, lealdade reflete aquilo que você é para si. Se contraria
seu sonho com o casamento ou o namoro, está sendo desleal, mesmo que
seja fiel.
Fidelidade é um passo externo, lealdade é um passo interno.
Fidelidade é honrar o compromisso perante o trabalho e os amigos, lealdade é honrar o compromisso em casa.
Lealdade
é expor o que se está pensando, o que se procura, não omitir suas
intenções, manter sua companhia atualizada de seus problemas e de suas
soluções.
Fidelidade é proteger o relacionamento, lealdade é não esconder o que está acontecendo dentro do relacionamento.
Sem lealdade, o amor cansa, o amor estanca, o amor não cresce.
A deslealdade separa mais do que a infidelidade.
A deslealdade é se trair por dentro."
Carpinejar
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